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ENAMORADO

A foto que encabeça este blog é da autoria de JOHANNES-OLHARES a quem agradeço me facilite a sua colocação.

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ENAMORADO

28
Jan06

...

Lumife
mulher ao sol.jpg


SONETO DA MULHER AO SOL


Uma mulher ao sol - eis todo o meu desejo
Vinda do sal do mar, nua, os braços em cruz
A flor dos lábios entreaberta para o beijo
A pele a fulgurar todo o pólen da luz.

Uma linda mulher com os seios em repouso
Nua e quente de sol - eis tudo o que eu preciso
O ventre terso, o pelo úmido, e um sorriso
À flor dos lábios entreabertos para o gozo.

Uma mulher ao sol sobre quem me debruce
Em quem beba e a quem morda, com quem me lamente
E que ao se submeter se enfureça e soluce

E tente me expelir, e ao me sentir ausente
Me busque novamente - e se deixe a dormir
Quando, pacificado, eu tiver de partir...

Vinícius de Moraes











24
Jan06

...

Lumife
ramo.jpg



Sê tu a palavra,
branca rosa brava.


Só o desejo é matinal.


Poupar o coração
é permitir à morte
coroar-se de alegria.


Morre
de ter ousado
na água amar o fogo.


Beber-te a sede e partir
- eu sou de tão longe.


Da chama à espada
o caminho é solitário.


Que me quereis,
se me não dais
o que é tão meu?


(Eugénio de Andrade)











06
Jan06

...

Lumife
passion14.jpg

AMOR – POIS QUE É PALAVRA ESSENCIAL


Amor – pois que é palavra essencial
comece esta canção e tudo a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
Reúna alma e desejo, membro e vulva.

Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente no corpo a alma a expandir-se
até desabrochar em puro grito
de orgasmo, num instante de infinito?

O corpo noutro corpo entrelaçado,
Fundido, dissolvido, volta à origem
Dos seres, que Platão viu contemplados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.

Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?

Ao delicioso toque do clítoris,
já tudo se transforma, num relâmpago.

Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentram.

Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara
mas, varado de luz, o coito segue.

E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da própria vida,
como activa abstracção que se faz carne,
a ideia de gozar está gozando.

E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o clímax:
é quando o amor morre de amor, divino.

Quantas vezes morremos um no outro,
no húmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.

Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, qual estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.

(do livro “Amor Natural” de Carlos Drummond de Andrade)































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