Sábado, 28 de Janeiro de 2006
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SONETO DA MULHER AO SOL




Uma mulher ao sol - eis todo o meu desejo

Vinda do sal do mar, nua, os braços em cruz

A flor dos lábios entreaberta para o beijo

A pele a fulgurar todo o pólen da luz.



Uma linda mulher com os seios em repouso

Nua e quente de sol - eis tudo o que eu preciso

O ventre terso, o pelo úmido, e um sorriso

À flor dos lábios entreabertos para o gozo.



Uma mulher ao sol sobre quem me debruce

Em quem beba e a quem morda, com quem me lamente

E que ao se submeter se enfureça e soluce



E tente me expelir, e ao me sentir ausente

Me busque novamente - e se deixe a dormir

Quando, pacificado, eu tiver de partir...



Vinícius de Moraes



publicado por Lumife às 02:34 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Terça-feira, 24 de Janeiro de 2006
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Sê tu a palavra,

branca rosa brava.




Só o desejo é matinal.




Poupar o coração

é permitir à morte

coroar-se de alegria.




Morre

de ter ousado

na água amar o fogo.




Beber-te a sede e partir

- eu sou de tão longe.




Da chama à espada

o caminho é solitário.




Que me quereis,

se me não dais

o que é tão meu?





(Eugénio de Andrade)





publicado por Lumife às 01:02 | link do post | comentar

Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2006
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AMOR – POIS QUE É PALAVRA ESSENCIAL




Amor – pois que é palavra essencial

comece esta canção e tudo a envolva.

Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,

Reúna alma e desejo, membro e vulva.



Quem ousará dizer que ele é só alma?

Quem não sente no corpo a alma a expandir-se

até desabrochar em puro grito

de orgasmo, num instante de infinito?



O corpo noutro corpo entrelaçado,

Fundido, dissolvido, volta à origem

Dos seres, que Platão viu contemplados:

é um, perfeito em dois; são dois em um.



Integração na cama ou já no cosmo?

Onde termina o quarto e chega aos astros?

Que força em nossos flancos nos transporta

a essa extrema região, etérea, eterna?



Ao delicioso toque do clítoris,

já tudo se transforma, num relâmpago.

Em pequenino ponto desse corpo,

a fonte, o fogo, o mel se concentram.



Vai a penetração rompendo nuvens

e devassando sóis tão fulgurantes

que nunca a vista humana os suportara

mas, varado de luz, o coito segue.



E prossegue e se espraia de tal sorte

que, além de nós, além da própria vida,

como activa abstracção que se faz carne,

a ideia de gozar está gozando.



E num sofrer de gozo entre palavras,

menos que isto, sons, arquejos, ais,

um só espasmo em nós atinge o clímax:

é quando o amor morre de amor, divino.



Quantas vezes morremos um no outro,

no húmido subterrâneo da vagina,

nessa morte mais suave do que o sono:

a pausa dos sentidos, satisfeita.



Então a paz se instaura. A paz dos deuses,

estendidos na cama, qual estátuas

vestidas de suor, agradecendo

o que a um deus acrescenta o amor terrestre.



(do livro “Amor Natural” de Carlos Drummond de Andrade)



publicado por Lumife às 01:06 | link do post | comentar | ver comentários (1)

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