Quarta-feira, 24 de Novembro de 2004
globete.gif



.



Este infinito amor de um ano faz


Que é maior do que o tempo e do que tudo


Este amor que é real e que contudo


Eu já não cria que existisse mais.


*


Este amor que surgiu insuspeitado


E que dentro do drama fez-se em paz


Este amor que é túmulo onde jaz


Meu corpo para sempre sepultado.


*


Este amor meu é como um rio; um rio


Noturno, interminável e tardio


A deslizar macio pelo ermo...


*


E que em seu curso sideral me leva


Iluminado de paixão na treva


Para o espaço sem fim de um mar sem termo.



*


Vinicius de Moraes



publicado por Lumife às 23:45 | link do post | comentar

Terça-feira, 23 de Novembro de 2004
f070022.jpgfoto por Alexandre T.



*



Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida


Meus olhos andam cegos de te ver!


Não és sequer razão do meu viver,


Pois que tu és já toda a minha vida!


*


Não vejo nada assim enlouquecida...


Passo no mundo , meu Amor, a ler


No misterioso livro do teu ser


A mesma história tantas vezes lida!


*


"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."


Quando me dizem isto, toda a graça


Duma boca divina fala em mim!


*


E, olhos postos em ti, digo de rastros:


"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,


Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..."



*


(Florbela Espanca)



publicado por Lumife às 00:24 | link do post | comentar

Domingo, 21 de Novembro de 2004
casal_abraco_colo.jpg



.



Sempre quis um amor



que vivesse a felicidade



sem reclamar dela ou disso.



Sempre quis um amor não omisso



e que suas estórias me contasse.



Ah, eu sempre quis um amor que me amasse.





publicado por Lumife às 18:20 | link do post | comentar

Quarta-feira, 17 de Novembro de 2004
migneco_alla-fonte-1.jpg



.



Não digas nada a ninguém


que eu ando no mundo triste


a minha amada, que eu mais gostava,


dançou, deixou-me da mão;


Eu a dizer-lhe que queria


ela a dizer-me que não


e a passarada


não se calava


cantando esta canção


.


Sim, foi na estrada do monte


perdi o teu grande amor


Sim ali ao pé da fonte


perdi o teu grande amor


.


Ai que tristeza que eu sinto


fiquei no mundo tão só


e aquela fonte, ficou marcada


com tanto que se chorou


Se alguém aqui nunca teve


uma razão para chorar


siga essa estrada


não diga nada


que eu fico aqui a chorar


.


Sim, foi na estrada do monte


perdi o teu grande amor


Sim ali ao pé da fonte


perdi o teu grande amor




.


(Pedro Ayres de Magalhães)



publicado por Lumife às 21:14 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Domingo, 14 de Novembro de 2004
TG-vandbillede-5.gif



.



Con la luna que quise


con el sol que adoré


con todos los astros,


con todo te comparo


pero siempre ganas


porque tú eres mi vida


y no hay nada mejor


que el amor que me das.


*


No me olvides ni me recuerdes


sólo debes saber que existo y te amo


no me sueñes ni me pienses


sólo ven conmigo y acompáñame


y sobre todo... ámame




publicado por Lumife às 16:53 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Terça-feira, 9 de Novembro de 2004
LL_Couple5.gif



*



É no silêncio da noite...


Que encontro o meu refúgio


É no silêncio da noite...


Que me vejo como eu sou.


*


Na noite e no silêncio que se faz,


Falo comigo e com meus amores.


Relembro com desdém o passado


E almejo ansiosamente o futuro.


*


É na noite calma, fria e serena


Que os anjos sossegam meu coração,


Inquieto e ardente por novas emoções


Nem ele mesmo, indolente como é, sabe lidar.


*


É assim, que eu e a noite - no silêncio - nos amamos.


Ela, acalentando assaz meu pequeno coração


E eu, me rendendo aos seus afagos e apelos,


Para no silêncio do meu quarto, conquistar a paz.



.



by: João Brito








publicado por Lumife às 00:13 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Sexta-feira, 5 de Novembro de 2004
viappia.jpg



.


Maria das Quimeras me chamou


Alguém ... Pelos castelos que eu ergui,


Plas flores de oiro e azul que a sol teci


Numa tela de sonho que estalou.



.


Maria das Quimeras me ficou ;


Com elas na minh'alma adormeci.


Mas, quando despertei, nem uma vi,


Que da minh'alma, Alguém, tudo levou !



.


Maria das Quimeras, que fim deste


Às flores de oiro e azul que a sol bordaste,


Aos sonhos tresloucados que fizeste ?



.


Pelo mundo, na vida, o que é que esperas ?...


Aonde estão os beijos que sonhaste,


Maria das Quimeras, sem quimeras ?

.


(Florbela Espanca)



publicado por Lumife às 16:39 | link do post | comentar

Quarta-feira, 3 de Novembro de 2004
picasso.jpg



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É o outro lado


de tudo o que acontece



.


É algo que não está no tempo


Nem no espaço


E,


que sem ser facto


ou objecto de desejo


Se apresenta ao olhar


Como o-outro-lado



.


E me faz olhar sempre na direcção de


.


O que a distância faz,


O que a proximidade faz,


O que a vida ou a morte não desfaz.


.


Sempre.


.


Sou sempre eu.


Mas 'eu' tenho duas partes


.


É como uma águia que se lança ao céu,


É como uma flor que se abre ao sol.




publicado por Lumife às 18:47 | link do post | comentar

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