Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2005
gondola.jpg



.



Teus olhos são negros, negros,



Como as noites sem luar...



São ardentes, são profundos,



como o negrume do mar;



.



Sobre o barco dos amores,



Da vida boiando à flor,



Douram teus olhos a fronte



Do Gondoleiro do amor.



.



Tua voz é cavatina



Dos palácios de Sorrento,



Quando a praia beija a vaga,



Quando a vaga beija o vento;



.



E como em noites de Itália,



Ama um canto o pescador,



Bebe a harmonia em teus cantos



O Gondoleiro do amor.



.



Teu sorriso é uma aurora,



Que o horizonte enrubesceu,



- Rosa aberta com biquinho



Das aves rubras do céu.



.



Nas tempestade da vida



Das rajadas no furor,



Foi-se a noite, tem auroras



O Gondoleiro do amor.



.



Teu seio é vaga dourada



Ao tíbio clarão da lua,



Que, ao murmúrio das volúpias,



Arqueja, palpita nua;



.



como é doce, em pensamento,



Do teu colo no langor



Vogar, naufragar, perder-se



O Gondoleiro do amor!?...



.



Teu amor na treva é - um astro,



No silêncio uma canção,



É brisa nas calmarias,



É abrigo - no tufão;



.



Por isso eu te amo, querida,



Quer no prazer, quer na dor...



Rosa! Canto! Sombra! Estrela!



O Gondoleiro do amor.



.


(Castro Alves)



publicado por Lumife às 19:31 | link do post | comentar

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